Amigos do Bem · Equipe de TI · período: junho a setembro de 2026 ·
emitido em 25/09/2026
Contas: Tenant Azure 1 (EA — caixa da instituição), Tenant Azure 2 (patrocinado — crédito Microsoft) e AWS (caixa, a partir da campanha 3)
Em quatro meses, três campanhas de otimização reduziram o custo mensal de infraestrutura em R$ 33.779. Descontado o que apenas mudou de conta, restam R$ 30.626 por mês de desperdício eliminado de verdade — cerca de R$ 368 mil ao ano que deixam de sustentar máquina ociosa e voltam a estar disponíveis para o trabalho que a instituição faz no sertão.
Custo mensal das duas contas, empilhado. Cada intervenção está marcada na data em que aconteceu.
A leitura da curva em três movimentos. Em julho, a faixa azul despenca: a campanha no EA tirou R$ 15.155 por mês do caixa próprio. Em agosto, a faixa laranja sobe: uma prova de conceito de ERP criada em 12/08 passou a consumir R$ 7.361 por mês de crédito. Em setembro, a faixa laranja cai ao menor patamar do período — a segunda campanha removeu a POC e mais quatro fontes de desperdício.
O mês de agosto é o argumento mais forte deste relatório: bastou um ambiente esquecido ligado por trinta dias para anular quase toda a economia conquistada no mês anterior. Sem acompanhamento contínuo, economia de nuvem não se sustenta — ela vaza.
Julho de 2026 · conta EA · aproximadamente 20 horas de trabalho técnico
| Ação | O que foi feito | Efeito |
|---|---|---|
| Backups de máquinas mortas | 14 itens de backup de VM já aposentada, retidos sem uso no cofre | R$ 2.037 → R$ 572 |
| Snapshots e discos órfãos | Poda de cópias antigas e discos sem máquina | ↓ armazenamento |
| Endereços públicos ociosos | Liberação de IPs reservados sem associação | ↓ rede |
| Telemetria de diagnóstico | Desligamento de diagnósticos verbosos desnecessários | ↓ analytics |
| Retenção de backup | De 30d+60m+10a para 30d+6m — a infraestrutura não precisa de histórico de anos | ↓ 72% |
| Resultado | run-rate diário de R$ 532 para R$ 223 | −85% |
A fatura real de agosto confirmou o resultado: de R$ 17.955 em junho para R$ 2.800 no mês fechado, sem perda de produção em nenhum momento.
Parte dessa queda — hoje R$ 3.154 por mês — não é desperdício eliminado: é a máquina de acesso remoto que mudou de conta. Ela saiu do caixa da instituição em 28/07 e passou a rodar sobre o crédito Microsoft, que expira em 11 de maio de 2027.
É uma ponte, não uma redução permanente. Se nada for decidido até lá, esse custo volta para a fatura. Ele está separado do total deste relatório justamente para que a prestação de contas não conte duas vezes o mesmo real.
Setembro de 2026 · conta patrocinada · aproximadamente 14 horas de trabalho
A Microsoft doou US$ 50.000 em crédito, válidos até 11 de maio de 2027. Uma auditoria mostrou que, no ritmo praticado em setembro, o crédito se esgotaria em fevereiro de 2027 — três meses antes do prazo — e um terço do que já havia sido consumido não sustentava nada.
| Ação | Evidência que sustentou a decisão | R$/mês |
|---|---|---|
| Prova de conceito de ERP | banco gerenciado a 0,05% de uso de processador por 30 dias; criado em 12/08, nunca desmontado | 7.361 |
| Acervo de 67 TB replicado | redundância geográfica sem plano de recuperação escrito; já existe cópia no servidor local | 3.257 |
| Acervo para faixa fria | 39,6 TB sem modificação há mais de 90 dias, movidos por regra automática | 1.267 |
| 13 cópias de disco | 8 de máquinas extintas em 17/07, 2 de 2025; nenhum disco ativo dependia delas | 801 |
| Backups de servidores extintos | proteção cobrada sobre máquinas que não existem desde fevereiro | 96 |
| Guarda do backup resgatado | 95 GB do ERP de produção preservados — custo assumido de propósito | −2 |
| Total | queima de R$ 38.310 para R$ 25.529 por mês | 12.780 |
Dentro do armazenamento da prova de conceito havia um arquivo de 94,94 GB: o backup do banco do ERP de produção. Não aparecia em nenhum inventário nem em nenhuma lista de custo — figurava apenas como "94,9 GB de armazenamento".
A primeira conferência devolveu pasta vazia, e teria levado a apagá-lo junto com o resto. O motivo é uma armadilha da ferramenta: a listagem sem permissão de leitura não retorna erro — retorna lista vazia. O arquivo só apareceu porque a medição de capacidade dizia 94,9 GB, e alguém achou a contradição estranha o bastante para conferir por outro caminho.
Foi preservado com integridade verificada por assinatura digital idêntica à do original. Guardá-lo custa cerca de R$ 1,55 por mês.
21 a 24 de setembro · Azure e AWS · R$ 5.844 por mês
As duas primeiras campanhas foram esforços concentrados: alguém parou, procurou e cortou. A terceira é diferente em espécie — ela nasceu de medir o que já existia e de construir uma ferramenta que continue medindo sozinha.
| Ação | O que foi feito | Por mês |
|---|---|---|
| Licença Windows própria | Três máquinas Windows pagavam a licença embutida no preço da nuvem, tendo licença própria. Um campo de faturamento, sem reinício nem parada. | R$ 4.709 |
| Banco do SAB: piso de capacidade | O banco era obrigado a pagar por 4 unidades de capacidade e passava 72% do tempo encostado nesse piso. Piso reduzido à metade; teto ampliado, porque 9% das horas batiam no limite máximo. | R$ 923 |
| Túnel de rede para lugar nenhum | Uma conexão VPN ligava a central a uma rede sem nenhuma sub-rede — não havia o que alcançar do outro lado. A cobrança é pela conexão existir, não pelo uso. | R$ 192 |
| Endereço de rede reservado à toa | Interface órfã de uma migração antiga, segurando um endereço público. | R$ 19 |
O que quase foi cortado por engano. Dez roteadores de saída da AWS custam R$ 1.730 por mês processando quase nada, e sete deles servem redes onde não há nenhuma máquina virtual — o retrato perfeito de desperdício. Nenhum podia sair: as redes hospedam 83 funções sem servidor, incluindo o sistema que gera as listas do Jantar. Elas não aparecem como máquina, só como interface de rede.
O episódio definiu a regra central da ferramenta que passou a rodar todo dia: a pergunta certa é quantas interfaces existem, não quantas máquinas — e recurso que parece morto entra em quarentena antes de qualquer proposta, porque o que parece morto e está vivo custa muito mais caro que o inverso.
Desde 24 de setembro um programa varre as duas nuvens diariamente, classifica o que encontra pelo risco de desfazer a ação, e só executa sozinho o que se reverte em segundos. Tudo que é irreversível — apagar disco, remover cópia de segurança, liberar endereço — continua exigindo decisão humana. Ele entrou no ar em modo de observação: propõe e não age, até acumular histórico suficiente para merecer a mão.
Duas capacidades diferentes, nenhuma delas suficiente sozinha.
A máquina mediu o que ninguém teria tempo de medir à mão — noventa dias, nove servidores, cinco indicadores por hora. A pessoa sabia o que não podia ser perdido. Trocar uma pela outra teria custado caro nos dois sentidos: sem a medição, a economia não apareceria; sem o julgamento, um backup de produção teria ido junto.
Esforço técnico total: ~42 horas nas três campanhas · retorno de R$ 8.752 por ano para cada hora aplicada.
| Camada | O que é | R$/mês | R$/ano |
|---|---|---|---|
| Eliminação real | desperdício que deixou de existir nas duas contas | 30.626 | 297.378 |
| Ponte de crédito | custo que mudou de conta e volta em maio de 2027 se nada for decidido | 3.154 | 37.848 |
| Queda observada | diferença total entre junho e setembro | 33.779 | 335.226 |
Os R$ 368 mil por ano da primeira linha são de duas naturezas, e vale distingui-las na prestação de contas: parte é dinheiro que a instituição deixa de gastar do próprio caixa, e parte é crédito doado que passa a render mais tempo. Nos dois casos, o efeito é o mesmo — recurso que sustentava máquina parada passa a estar disponível para sistema que atende gente.
É disso que se trata. Um servidor de banco de dados com folga que ninguém usava, um acervo replicado para outra região que ninguém acessava, treze cópias de disco de máquinas que não existem mais: nada disso alimentou uma criança, formou um jovem ou levou água a uma comunidade. Agora esse recurso está livre para fazer isso.
O crédito da Microsoft tem US$ 33.879 de saldo e expira em 11 de maio de 2027 — faltam 228 dias. Para chegar lá, o consumo precisa caber em US$ 148,59 por dia.
Até 23 de setembro o ritmo era de US$ 176,13 por dia: nesse passo o crédito acabaria em 5 de abril, trinta e seis dias antes do prazo. A licença Windows própria, aplicada em 24 de setembro, tirou US$ 29,92 por dia dessa conta e levou o ritmo a US$ 146,21 — abaixo do orçamento pela primeira vez desde o início da campanha.
Nesse ritmo o crédito alcança 14 de maio de 2027, três dias depois da expiração. A meta foi atingida, e com margem estreita: três dias em duzentos e vinte e oito. Qualquer ambiente esquecido ligado por uma semana devolve o problema — foi exatamente o que aconteceu em agosto.
Duas frentes seguem abertas e transformariam a margem em folga: o ajuste do servidor de banco de dados (R$ 4.425/mês), que aguarda a correção de um travamento de fila documentado à parte, e o redimensionamento de uma máquina de acesso remoto (R$ 667/mês), que precisa de janela noturna.
Quarenta e duas horas de trabalho técnico devolveram à instituição cerca de R$ 368 mil por ano — recurso que estava sendo consumido por máquinas que ninguém usava.
Nenhuma das três campanhas exigiu compra, contrato novo ou negociação de desconto. Toda a economia veio de medir o que estava em uso, decidir o que não era necessário e desmontar com cuidado — verificando antes, conferindo depois e preservando o que tinha valor, inclusive o que não estava em inventário nenhum.
O acompanhamento agora é contínuo: uma página atualizada diariamente vigia as duas nuvens e dispara alerta quando o gasto salta. Foi exatamente esse tipo de vigilância que faltou em agosto, quando um ambiente esquecido consumiu em trinta dias quase tudo o que o mês anterior havia economizado.